Bate & Rebate discute “Criação em crise – sob o ponto de vista dos anunciantes”
Redação
Resultado foi a palavra mais pronunciada pelos debatedores da 4ª edição do Debate & Rebate, promovido pelo Clube de Criação do Paraná e que discutiu na quarta-feira (14/02) o tema “Criação em crise – sob o ponto de vista dos anunciantes”.
A mesa foi composta por Roberta Storelli, diretora do departamento de Marketing e Propaganda da Prefeitura Municipal de Curitiba, Heloisa Souza, gerente de comunicação institucional do HSBC Bank Brasil, Ludmila Holz, diretora de marketing da Nutrimental, Fernando Dutra, gerente de comunicação de O Boticário, Fernanda Prado, gerente de marketing do Grupo Barigui e Ivana Faust, diretora de marketing da Bergerson.
O gerente de comunicação do Boticário, Fernando Dutra, pediu a palavra e deu início ao debate, dizendo que considera imprescindível a estruturação do processo de criação da agência a partir do perfeito entendimento do mercado do cliente. Para ele, a primeira negativa em uma campanha que não atende o briefing é o descolamento da realidade do cliente, de toda sua história e de seu processo de construção da marca. “Quando voltada apenas ao recebimento de prêmios, a comunicação torna-se uma ferramenta válida somente para a agência. É preciso compreender que as empresas são cobradas sempre pelo market share e pelo seu posicionamento. Assim, a agência deve fazer uma imersão no mercado do cliente para entender a sua ótica e a sua dinâmica de trabalho”, disse.
Em seguida, a gerente de comunicação institucional do HSBC Bank Brasil, Heloisa Souza, falou sobre a necessidade da agência fugir dos padrões considerados tradicionais e pensar em outros canais de comunicação para surpreender o cliente. “Queremos alternativas fora do esperado, dessa forma, mídias ‘novas’ como internet, podcast e outras ferramentas on-line têm que ser consideradas no processo criativo sempre que adequadas ao público do cliente”, ressaltou.
A próxima debatedora foi Fernanda Prado, gerente de marketing do Grupo Barigui, para quem o mercado de varejo automobilístico é repleto de adrenalina e tem o DNA formado basicamente por resultado. Fernanda explicou que o trabalho de seu departamento é movido em função de market share e norteado pelo volume de emplacamento diário, o que acarreta em uma grande pressão e na rápida tomada de decisões. Ela frisou a importância dos criativos acompanharem o cotidiano e a realidade dos clientes e, munidos de informações, estarem aptos a ajudar na busca pela liderança. “O maior valor da criação é quando o trabalho gera resultado e, para mim, a melhor criação nasce justamente no ponto de venda”, disse. “Eu não diria que a criação está em crise, mas sim que esses questionamentos são positivos para criativos e agências como um todo pensarem na importância do seu trabalho e na responsabilidade das ações propostas”.
Roberta Storelli, diretora do departamento de Marketing e Propaganda da Prefeitura Municipal de Curitiba, foi bastante sucinta e clara em seu discurso ao recomendar a vivência externa e o contato da agência com o mundo do cliente. Atuando na Prefeitura, Roberta disse ver a cidade inteira como uma possibilidade de mídia, o que não é percebido se o trabalho for limitado a quatro paredes. “Acho que muitas vezes a equipe de criação se concentra puramente dentro da agência, mas é preciso sair, ir ao Mercado Municipal, pegar ônibus, andar pela rua, porque destes cenários extraímos informações riquíssimas e campanhas quase prontas”, falou, descrente da alardeada “crise na criação”. “Crise nós temos a vida inteira, seja ela positiva ou negativa, afinal, é um processo natural do ser humano. Só acredito que, para satisfazer o cliente, a agência tem que estar em constante evolução, estudar o mercado sem conformismo, com eficácia e sempre com o pé na realidade”.
Roberta passou a palavra à Ludmila Holz, diretora de marketing da Nutrimental, entusiasta do uso da comunicação como ferramenta para obter os resultados esperados pela empresa. “No nosso mercado, impactos no fluxo de caixa acarretam na diminuição de investimentos em tecnologia, na contratação de pessoal e em cortes com comunicação, ou seja, o investimento está totalmente amarrado ao faturamento. Assim, a partir do momento que agência e cliente aprovarem uma campanha, ela tem que convergir para a venda efetiva daquele produto ou serviço”.
A explanação das idéias foi encerrada pela diretora de marketing da Bergerson, Ivana Faust, que lembrou aos presentes sobre o momento de inovação pelo qual passa o mercado. “Confesso que nunca ouviu falar tanto em inovação quanto agora, e creio que essa é a grande reflexão do momento: ‘o que fazer para inovar, para ser diferente da concorrência?’’, questionou. Para Ivana, a falta de idéias é uma constante e isso demanda mudanças urgentes. “Atualmente, todos gravitam em torno dos mesmos assuntos e das mesmas mídias. Falando sob a perspectiva do cliente, gosto de buscar novas possibilidades e novas maneiras de mostrar meu produto para surpreender clientes e a concorrência”.
O próximo Debate & Rebate será realizado no dia 14/03, às 19h30, também na Fnac, com o tema “Criação em Crise – o que pensam os diretores de cena?”. Informações e reservas pelo e-mail celia@ccpr.org.br